Lição 112 — Transformações lineares
Funções entre espaços vetoriais que preservam combinação linear. Representação matricial em uma base. Mudança de base. A operação fundamental que torna ML, gráficos 3D e processamento de sinais possíveis.
Usado em: Leistungskurs alemão (Lineare Algebra) · Math III japonês · H2 Math singapurense · graduação engenharia 1.º semestre
Uma transformação linear é uma função entre espaços vetoriais que preserva soma e multiplicação por escalar. Em base fixa, é representada por uma matriz: aplicar a um vetor vira multiplicação matricial .
Notação rigorosa, derivação completa, hipóteses
Definição rigorosa
Transformações lineares
"Uma transformação linear é uma função que vai de um espaço vetorial para outro e preserva as operações de espaço vetorial de adição de vetores e multiplicação por escalar." — Beezer — A First Course in Linear Algebra, §LT
"Se é uma transformação linear, então ." — Beezer — A First Course in Linear Algebra, Teorema LTTZZ, §LT
Representação matricial
Diagrama: T leva vetores de V (com base B) para W (com base C). Em coordenadas, a operação é multiplicação pela matriz [T].
Mudança de base e matrizes semelhantes
"Duas matrizes que representam a mesma transformação linear em diferentes bases são chamadas de matrizes semelhantes, e para alguma matriz invertível ." — Hefferon — Linear Algebra, cap. 3 §III.1
Composição
Exemplos resolvidos
Lista de exercícios
40 exercícios · 10 com solução desenvolvida (25%)
- Ex. 112.1AplicaçãoGabarito
Sejam . Defina por . é linear:
Ver solução
Se , então , violando a condição necessária. Se , o termo é cúbico e viola homogeneidade. Quando , basta verificar aditividade e homogeneidade para a parte linear — ambas se verificam.Ver passo a passo (com o porquê)
- Com : — não linear.
- Com : tem termo enquanto tem — não linear.
- Com : é claramente linear (combinação linear das coordenadas).
- Ex. 112.2Aplicação
Sejam . Defina por . é linear:
Ver solução
Se , o termo é produto de avaliações — não linear. Se , o termo não é linear em $p$. Com , ambas as componentes são lineares (avaliação, derivada e integral são operações lineares). - Ex. 112.3Demonstração
Seja . O que se pode afirmar sobre a representação de ?
Ver solução
Para cada $j$ e cada $k$, defina como a $j$-ésima componente de . Pela linearidade, qualquer , e a $j$-ésima componente é . - Ex. 112.4Demonstração
Suponha e que é linearmente independente em . Então:
Ver solução
Suponha . Aplicando $T$: . Como é L.I., todos os . Logo é L.I.Ver passo a passo (com o porquê)
- Suponha para escalares .
- Aplique $T$: .
- Independência linear de implica para todo $i$.
- Ex. 112.5Demonstração
Prove que é um espaço vetorial — conforme afirmado no Resultado 3.6 de Axler. A melhor descrição é:
Ver solução
Defina e . A soma de lineares é linear (ambas as propriedades se preservam), o múltiplo escalar de linear é linear, e o mapa zero é o elemento neutro. Os oito axiomas de espaço vetorial se verificam. - Ex. 112.6Demonstração
Todo mapa linear num espaço vetorial 1-dimensional sobre si mesmo é:
Ver solução
Se $\dim V = 1$, tome base . Então para algum . Para qualquer , linearidade dá . Logo . - Ex. 112.7CompreensãoGabarito
Sobre a relação entre homogeneidade e aditividade de funções :
Ver solução
Contraexemplo: não funciona aqui — o exemplo padrão é , que satisfaz (homogênea somente para ). Sobre , tome baseada num funcional não mensurável (Axioma da Escolha) — satisfaz mas não . - Ex. 112.8Compreensão
Suponha de dimensão finita e . Se comuta com todo , então :
Ver solução
Se $V$ tem dimensão finita e comuta com todo , então $T$ é múltiplo escalar da identidade. Basta mostrar que $T$ leva toda base para um múltiplo escalar de si mesma, usando que $TS = ST$ para todo $S$ forçado a trocar vetores de base. - Ex. 112.9Demonstração
Sobre a multiplicação de mapas lineares (composição) as propriedades válidas são:
Ver solução
Associatividade: pois ambos lados enviam $v$ para . Identidade: . Distributividade: e , ambas por linearidade dos mapas. - Ex. 112.10Compreensão
Se é de dimensão finita com , sobre a comutatividade de operadores:
Ver solução
Tome base . Defina e . Então mas . Logo . - Ex. 112.11Aplicação
Dê um exemplo de mapa linear com e :
Ver solução
Pelo teorema núcleo-imagem: . Queremos . Tome definido por : núcleo tem dimensão 3, imagem tem dimensão 2. - Ex. 112.12Demonstração
Suponha com . Conclui-se:
Ver solução
. Como , temos , logo . Portanto . - Ex. 112.13Aplicação
Dê um exemplo de tal que :
Ver solução
Pelo teorema núcleo-imagem, , logo $V$ deve ter dimensão par. Para : tem núcleo (dim 2) e imagem (dim 2). - Ex. 112.14DemonstraçãoGabarito
Prove ou refute: existe tal que .
Ver solução
Se , então . Pelo teorema núcleo-imagem: , o que exige — não inteiro, impossível.Ver passo a passo (com o porquê)
- Suponha ; sejam as duas dimensões iguais a $k$.
- Teorema núcleo-imagem: , logo .
- Dimensão deve ser inteiro — contradição. Logo não existe tal $T$.
- Ex. 112.15Aplicação
Sejam . O mapa linear associado naturalmente a essa lista é:
Ver solução
Defina por . Linearidade é imediata. A imagem de $T$ é ; o núcleo captura as relações de dependência linear entre os $v_i$. - Ex. 112.16Compreensão
O conjunto é subespaço de ?
Ver solução
Tome com e com , ambos com núcleo de dimensão 3. Então pode ser menor que 3 (por exemplo, 1), portanto a soma pode sair do conjunto. Não é subespaço. - Ex. 112.17Demonstração
Suponha injetora e L.I. em . Então:
Ver solução
Suponha $T$ injetora e L.I. em $V$. Se , então . Como $T$ é injetora, , logo todos . Portanto é L.I. - Ex. 112.18AplicaçãoGabarito
Suponha gera e . Então :
Ver solução
Qualquer é da forma para algum . Como gera $V$, temos , logo . Portanto gera . - Ex. 112.19Demonstração
Suponha de dimensão finita e . Então:
Ver solução
Tome $U$ um complemento de $\ker T$ em $V$: . Então é injetora (restrição ao complemento do núcleo) e pois qualquer com satisfaz . - Ex. 112.20AplicaçãoGabarito
Seja mapa linear de em com . Conclua:
Ver solução
O núcleo descrito é , que tem dimensão 2. Pelo teorema núcleo-imagem: . Como , $T$ é sobrejetora.Ver passo a passo (com o porquê)
- Identifique o núcleo: 2 restrições livres (, ), 2 parâmetros livres.
- .
- Teorema núcleo-imagem: .
- tem dimensão 2, logo $T$ é sobrejetora.
- Ex. 112.21Aplicação
Seja subespaço de dimensão 3 de e mapa linear de em tal que . Qual a dimensão possível para ?
Ver solução
$U$ (dim 3) está contido no núcleo de $T$. Pelo teorema núcleo-imagem: . A imagem tem dimensão no máximo 5 e ao menos 3 (pois há 8 dimensões, 3 perdidas no núcleo mínimo). Portanto a imagem tem dimensão entre 3 e 5 inclusive. - Ex. 112.22Demonstração
Não existe mapa linear de em cujo núcleo seja . Por quê?
Ver solução
O núcleo tem dimensão 2 (dois parâmetros livres: e ). Pelo teorema núcleo-imagem: . Mas o contradomínio é de dimensão 2 — impossível ter imagem de dimensão 3 em espaço de dimensão 2. Contradição, logo não existe tal $T$. - Ex. 112.23Demonstração
Suponha e de dimensão finita. A condição exata para existir mapa linear injetor de em é:
Ver solução
Se : estenda base de $V$ para enviar cada vetor de base em vetores L.I. de $W$. Isso define $T$ injetora. Se : pelo teorema núcleo-imagem, , logo $T$ não é injetora. - Ex. 112.24Demonstração
Suponha e de dimensão finita. A condição exata para existir mapa linear sobrejetor de sobre é:
Ver solução
Se : mande base de $V$ em geradores de $W$ (com repetições se necessário) e estenda por linearidade. Se : , logo $T$ não é sobrejetora. - Ex. 112.25DemonstraçãoGabarito
Suponha finito-dimensionais, subespaço de e subespaço finito-dimensional de . Existe com e ?
Ver solução
Tome complemento $U$ de $X$ em $V$: . Como $Y$ é finito-dimensional, existe isomorfismo (pois ). Defina $T$ como zero em $X$ e como esse isomorfismo em $U$. Então e . - Ex. 112.26DemonstraçãoGabarito
Suponha finito-dimensional e . é injetora se e somente se:
Ver solução
Se $T$ injetora: defina $S(Tv)=v$ e $S=0$ fora da imagem de $T$. Então $STv = v$, logo $ST=I_V$. Reciprocamente: se $Tv=0$, então $v = STv = S(0)=0$, logo $T$ injetora. - Ex. 112.27DemonstraçãoGabarito
Suponha finito-dimensional e . é sobrejetora se e somente se:
Ver solução
Se $T$ sobrejetora: para cada $w \in W$ escolha $s(w) \in V$ com $Ts(w)=w$. Estenda $s$ por linearidade para obter com . Reciprocamente: para todo $w$, logo $T$ sobrejetora. - Ex. 112.28Demonstração
Suponha finito-dimensional, e subespaço de . O conjunto :
Ver solução
O conjunto é a pré-imagem de $U$ sob $T$ — é subespaço. Pelo teorema núcleo-imagem aplicado a : . - Ex. 112.29Demonstração
Suponha finito-dimensionais, e . Uma cota para o núcleo de :
Ver solução
Pelo teorema núcleo-imagem: . Como e pelo teorema: . - Ex. 112.30Demonstração
Suponha finito-dimensionais, e . Uma cota para :
Ver solução
logo . Também — mais precisamente, pois a imagem de $ST$ é imagem de $T$ restrita. Logo o mínimo dos dois. - Ex. 112.31Demonstração
Suponha e (operador idempotente, ou projeção). Então:
Ver solução
Tome : escreva . Então e , logo . Para unicidade: se , então e , logo .Ver passo a passo (com o porquê)
- Escreva para qualquer $v$.
- Verifique e (calcule ).
- Intersecção trivial: .
- Ex. 112.32DemonstraçãoGabarito
Para qualquer , existe com ?
Ver solução
O operador , , é linear. Para qualquer $p$ de grau $n$, tome $q$ de grau $n+1$: os coeficientes de $q$ se determinam resolvendo o sistema triangular imposto pelos coeficientes de $p$. O operador é sobrejetor em . - Ex. 112.33Demonstração
Suponha não nulo e com . Então:
Ver solução
Seja , i.e., . Para qualquer : escreva . O primeiro parcelo está em (verifique). O segundo é múltiplo de $u$. Intersecção trivial: . - Ex. 112.34Aplicação
Encontre a representação matricial de definida por : (Resp: matriz )
Ver solução
Aplica-se $T$ a cada vetor canônico de e escreve-se o resultado como coluna. , , . A matriz é .Ver passo a passo (com o porquê)
- Calcule , , .
- Cada imagem é um vetor em — use-o como coluna.
- Agrupe as 3 colunas para obter a matriz .
- Ex. 112.35Aplicação
Verifique se definida por é transformação linear:
Ver solução
Sejam e . . Para escalar: . Linear. - Ex. 112.36Aplicação
Verifique se com é transformação linear:
Ver solução
Seja . . Para : componentes somam linearmente. Para : . Linear. - Ex. 112.37Aplicação
Para do exercício C25, calcule a pré-imagem . A pré-imagem é:
Ver solução
A pré-imagem de é um coset do núcleo: , onde . Para encontrá-la, resolva o sistema e expresse a solução geral. - Ex. 112.38AplicaçãoGabarito
Suponha que satisfaz e . Quantas tais transformações lineares existem?
Ver solução
Os vetores e formam base de (det ). Logo existe única $T$ linear com os valores prescritos nas bases. Expresse qualquer vetor como combinação linear desses dois e use linearidade para determinar $T$ completamente.Ver passo a passo (com o porquê)
- Verifique que é base de : det .
- Por unicidade da extensão linear, $T$ fica determinada pelos valores na base.
- Para qualquer : .
- Ex. 112.39Aplicação
Para com , o núcleo e o nome da transformação são:
Ver solução
implica . Logo , dimensão 1. A transformação é diferenciação: (derivada). - Ex. 112.40Demonstração
Usando o Teorema LTLC (linearidade em combinações lineares), proponha uma definição equivalente de transformação linear usando uma única condição. Essa definição é:
Ver solução
Pelo Teorema LTLC de Beezer, $T$ é linear sse preserva combinações lineares. Uma condição única equivalente: para todos e . Esta single-condition captura ambas aditividade e homogeneidade simultaneamente.
Fontes
- Beezer — A First Course in Linear Algebra — Rob Beezer · 2022 · EN · GNU FDL. §LT (Linear Transformations) e §ILT (Injective Linear Transformations). Fonte primária desta lição.
- Hefferon — Linear Algebra — Jim Hefferon · 4.ª ed. · EN · CC-BY-SA. Cap. 3 (Maps Between Spaces): enfoque geométrico e exemplos de transformações do plano.
- Axler — Linear Algebra Done Right — Sheldon Axler · 4.ª ed. · EN · CC-BY-NC. §3A–§3B: linear maps como objetos de primeira classe; sem determinantes como fundamento.