Lição 115 — Diagonalização
Decomposição A = PDP⁻¹. Condições de diagonalizabilidade, algoritmo de construção, potências matriciais, exponencial de matriz e aplicações em sistemas dinâmicos.
Usado em: 3.º ano do EM avançado · Equiv. Lineare Algebra LK alemão · Equiv. Math III japonês · Equiv. H2 Mathematics singapurense
Quando possui autovetores linearmente independentes, ela se decompõe como : é a matriz cujas colunas são os autovetores e é diagonal com os autovalores. Diagonalizar é mudar para a base de autovetores, onde a transformação linear fica trivial — cada direção é apenas escalada pelo seu autovalor.
Notação rigorosa, derivação completa, hipóteses
Decomposição espectral — definição e teoria
Definição fundamental
"A matrix is diagonalizable if it is similar to a diagonal matrix — there exists an invertible such that is diagonal." — Beezer, A First Course in Linear Algebra, §SD
Condições equivalentes
"An matrix is diagonalizable if and only if has linearly independent eigenvectors." — Beezer, A First Course in Linear Algebra, §SD Theorem DED
Casos que garantem diagonalizabilidade
Condições suficientes para diagonalizabilidade. Simétrica real: P ortogonal (Teorema Espectral, L116). Normal: P unitária.
Algoritmo de diagonalização
- Calcule o polinômio característico e encontre as raízes com multiplicidades algébricas .
- Para cada , resolva e encontre uma base de . Verifique .
- Se : monte com os autovetores como colunas e (respeitando a ordem das colunas).
- Se : não é diagonalizável — recorra à forma de Jordan.
Aplicações imediatas
Para qualquer função analítica : com .
Exemplos resolvidos
Lista de exercícios
40 exercícios · 10 com solução desenvolvida (25%)
- Ex. 115.1Aplicação
Calcule o polinômio característico de .
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.Ver passo a passo (com o porquê)
- Forme e calcule o determinante: .
- Expanda: .
- Ex. 115.2Aplicação
Calcule o polinômio característico de .
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Traço = 4, . Expandindo pela primeira coluna: . - Ex. 115.3AplicaçãoGabarito
Determine os autovalores, autoespaços e multiplicidades algébrica e geométrica de .
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. Autovalores 3 e 2, ambos simples: . Diagonalizável.Ver passo a passo (com o porquê)
- Calcule .
- Fatore: . Raízes simples.
- e . Diagonalizável.
- Ex. 115.4Aplicação
Determine os autovalores, autoespaços e multiplicidades algébrica e geométrica de .
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. Autovalores 3 e , ambos com . - Ex. 115.5AplicaçãoGabarito
Sem calculadora, encontre os autovalores de . Há autovalores reais?
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. Discriminante: . Raízes: — sem autovalores reais.Ver passo a passo (com o porquê)
- Calcule .
- Discriminante : raízes complexas.
- Conclusão: não tem autovalores reais — codifica rotação no plano.
- Ex. 115.6Aplicação
Encontre os autovalores, autoespaços e multiplicidades algébrica e geométrica de .
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. : autovetor . : autovetor . Ambos . Diagonalizável. - Ex. 115.7Aplicação
Encontre os autovalores, autoespaços e multiplicidades algébrica e geométrica de .
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tem posto 1 (todas as linhas são múltiplas de ), nulidade = 2, logo . Traço = 3, logo . Autovetor: . Diagonalizável: .Ver passo a passo (com o porquê)
- Observe: cada linha de é múltipla de — posto 1, nulidade 2.
- . Traço = 3: , logo .
- Verifique: . . Diagonalizável.
- Ex. 115.8AplicaçãoGabarito
Para com polinômio característico , encontre os autovalores e autoespaços. A matriz é diagonalizável?
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Polinômio dado: . (), (). Para : tem posto 1, nulidade=2. Logo — diagonalizável. - Ex. 115.9AplicaçãoGabarito
Suponha com autovalores 2, 6 e 7 (somente esses). Prove que existe invertível com .
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Três autovalores distintos em dimensão 3 garantem diagonalizabilidade. e com . Tome : . - Ex. 115.10AplicaçãoGabarito
Encontre com autovalores distintos 2, 6 e 7 (e nenhum outro) tal que não exista invertível com .
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Tome com autovalores 2,2,6,7 () e com autovalores 2,6,6,7 (). Ambos têm apenas os valores distintos 2, 6, 7. Mas os polinômios característicos diferem — não são semelhantes. - Ex. 115.11Aplicação
Encontre tal que 6 e 7 são autovalores, mas não possui matriz diagonal em nenhuma base de .
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Tome a matriz . Autovalores: 6 () e 7 (). Como , não é diagonalizável em . - Ex. 115.12Aplicação
Suponha com matriz diagonal em alguma base de . Quantas vezes um autovalor aparece na diagonal de ?
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A base de diagonalização consiste inteiramente de autovetores. Cada autovetor de autovalor contribui com uma entrada na diagonal. O número de tais autovetores é . - Ex. 115.13Aplicação
Suponha diagonal com entradas distintas e matriz do mesmo tamanho. Mostre que se e somente se é diagonal.
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Com : e . Igualando: . Para com : . Logo é diagonal.Ver passo a passo (com o porquê)
- Calcule e .
- Igualando: para todo .
- Para : , logo . é diagonal.
- Ex. 115.14Aplicação
Suponha invertível. Prove que para todo . O que implica sobre a diagonalização de ?
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Se com e , aplique : , logo . A inclusão reversa segue por simetria. Se é diagonalizável, também é (com autovalores recíprocos). - Ex. 115.15AplicaçãoGabarito
Mostre que é diagonalizável calculando as multiplicidades geométricas. Encontre e inversível com .
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Calcule o polinômio característico de , encontre autovalores, compute . Se : monte com autovetores como colunas e . Verifique . - Ex. 115.16AplicaçãoGabarito
Determine se é diagonalizável. Se sim, encontre e com .
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Calcule autovalores de , compute para cada um. é diagonalizável . Se sim, construa e . - Ex. 115.17Compreensão
Suponha de dimensão finita e . Prove: se é diagonalizável, então .
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Se é diagonalizável: . O autoespaço de é . Para , é bijeção em , logo . Portanto . - Ex. 115.18Compreensão
Suponha complexo de dimensão finita e . (a) Prove: se , então é diagonalizável. (b) Prove: se , então é diagonalizável.
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(a) : sem raízes repetidas. O polinômio mínimo divide : é diagonalizável. (b) : sem raízes repetidas: é diagonalizável. - Ex. 115.19Compreensão
Suponha e triangulares superiores de mesmo tamanho com na diagonal de e na diagonal de . Mostre: (a) é triangular superior com na diagonal; (b) é triangular superior com na diagonal.
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Soma: para , , logo , diagonal . Produto: ; para todos os termos se anulam por triangularidade. Diagonal de : . - Ex. 115.20Compreensão
Suponha invertível e base em que a matriz de é triangular superior com na diagonal. Mostre que a matriz de na mesma base é triangular superior com na diagonal.
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Se a matriz de em é triangular superior com na diagonal: . Como é invertível (), por indução : é triangular superior com diagonal . - Ex. 115.21Compreensão
Suponha e matrizes similares. Prove que e são similares. Generalize para e .
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Se : . Por indução: para todo .Ver passo a passo (com o porquê)
- Base: .
- .
- Indução: .
- Ex. 115.22Compreensão
Suponha e matrizes similares com não-singular. Prove que é não-singular e que é similar a .
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Se : — é não-singular. : . - Ex. 115.23Compreensão
Suponha não-singular. Prove que é similar a .
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Tome : . Logo . - Ex. 115.24Compreensão
Suponha de dimensão finita e . Prove que são equivalentes: (a) ; (b) ; (c) .
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Pela fórmula de dimensão: . (a) implica (b). (b) com a fórmula de dimensão implica (a). (c) com a fórmula de dimensão também implica (a). As três são equivalentes. - Ex. 115.25Compreensão
Suponha complexo de dimensão finita e . Prove: é diagonalizável se e somente se para todo .
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Aplique o critério anterior a para cada . diagonalizável polinômio mínimo sem raízes repetidas para todo , . - Ex. 115.26Compreensão
Suponha com . Prove que ou é invertível.
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Se 2 e 6 fossem ambos autovalores: — impossível em . Logo ao menos um de 2 ou 6 não é autovalor: ou é invertível. - Ex. 115.27Compreensão
Suponha de dimensão finita e . Prove: é diagonalizável se e somente se (operador dual) é diagonalizável.
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e têm o mesmo polinômio mínimo. Logo diagonalizável (polinômio mínimo sem raízes repetidas) diagonalizável. - Ex. 115.28CompreensãoGabarito
Suponha de dimensão finita e com autovalores não-nulos distintos . Prove: .
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Para , é injetora, logo . As imagens de autoespaços de diferentes autovalores são LI (autoespaços distintos são LI). Logo . - Ex. 115.29Modelagem
Para matrizes idempotentes (), prove que os únicos autovalores possíveis são e . Dê um exemplo com ambos os autovalores.
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Se e (): , logo . (Resp: .)Ver passo a passo (com o porquê)
- Aplique a : .
- Como : , logo .
- Como : ou .
- Ex. 115.30Modelagem
Para autovalores distintos e de , prove que .
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Se : e . Subtraindo: . Como : . - Ex. 115.31ModelagemGabarito
Suponha diagonalizável com autovalores distintos . Prove: é invariante por se e somente se .
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Para , decomponha com . Aplique para extrair: como é invariante e , temos . Logo . - Ex. 115.32Modelagem
Suponha diagonalizável e subespaço de invariante por . Prove que é diagonalizável em .
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Se é diagonalizável: . O operador quociente tem autoespaço para cada . A soma das dimensões desses autoespaços é : é diagonalizável. - Ex. 115.33Modelagem
Fibonacci: . Defina por . (a) Prove que . (b) Derive a fórmula de Binet diagonalizando .
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Defina . Por indução: . Autovalores: e . Diagonalizando: .Ver passo a passo (com o porquê)
- Base: . Passo: .
- Matriz de : . Polinômio: .
- Autovalores . Diagonalize e extraia .
- Ex. 115.34ModelagemGabarito
Suponha com matriz satisfazendo para todo (dominância diagonal estrita). Prove que é invertível. (Teorema dos discos de Gershgorin.)
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Pelo Teorema de Gershgorin, todo autovalor de satisfaz para algum . Com dominância diagonal estrita, 0 está fora de todos os discos: 0 não é autovalor, logo é invertível. - Ex. 115.35Desafio
(a) Dê exemplo de espaço complexo de dimensão finita e tal que é diagonalizável mas não é. (b) Sobre , diagonalizável implica diagonalizável?
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(a) : é diagonalizável, mas tem — não diagonalizável. (b) Não: o mesmo exemplo serve para . - Ex. 115.36Desafio
Suponha complexo de dimensão finita, e o polinômio mínimo de . Prove que são equivalentes: (a) é diagonalizável; (b) não existe tal que é múltiplo polinomial de .
Ver solução
Seja o polinômio mínimo de . diagonalizável para todo autovalor divide (sem repetições) não tem raízes repetidas. - Ex. 115.37Desafio
Prove ou dê contraexemplo: se e tem matriz triangular superior em alguma base de , então tem matriz triangular superior em alguma base de .
Ver solução
Os autovalores de são quadrados dos autovalores de . Sobre , tem autovalores (raízes quadradas). Pelo Teorema de Schur existe base em que é triangular superior. - Ex. 115.38Desafio
Suponha matriz quadrada com entradas complexas. Prove que existe inversível com entradas complexas tal que é triangular superior.
Ver solução
Pelo Teorema de Schur: toda quadrada com entradas complexas tem inversível complexa tal que é triangular superior. A prova usa que sobre todo operador tem ao menos um autovalor, e prossegue por indução em dimensão. - Ex. 115.39Demonstração
Suponha de dimensão finita. Prove que tem uma base consistindo de operadores diagonalizáveis.
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Seja base de . As projeções têm autovalores 0 e 1 — diagonalizáveis. Para , também é diagonalizável. Essas projeções e suas combinações geram e formam uma base de operadores diagonalizáveis. - Ex. 115.40Demonstração
Prove ou dê contraexemplo: se e existe subespaço invariante tal que e são ambos diagonalizáveis, então é diagonalizável.
Ver solução
A recíproca é falsa. Tome , (não diagonalizável), . (diagonalizável) e age como 0 em (diagonalizável), mas não é diagonalizável.
Fontes
- A First Course in Linear Algebra — Robert A. Beezer · 2022 · EN · GNU FDL. Referência primária: §SD (Similar Matrices and Diagonalization) com definições rigorosas e exercícios numerados.
- Linear Algebra Done Right (4ª ed) — Sheldon Axler · 2024 · EN · CC-BY-NC. Cap. 5C–5D: operadores diagonalizáveis, polinômios e funções de operadores.
- Linear Algebra — Jim Hefferon · 2022 · EN · CC-BY-SA. Cap. 5 §II: diagonalização, Jordan introdutória, exemplos de sistemas dinâmicos.