Lição 119 — Síntese: Black-Scholes revisited
A culminação de 3 anos: toda a matemática do Ensino Médio converge na fórmula de Black-Scholes. Funções, exp/log, derivadas, integrais, EDPs, distribuição normal, álgebra linear — todos visíveis na fórmula. Nobel de Economia 1997.
Usado em: 3.º ano do EM (17-18 anos) · Equiv. Math III japonês cap. final · Equiv. Klasse 12 LK alemã — Finanças Aplicadas · Equiv. H2 Further Math singapurense
A fórmula de Black-Scholes precifica uma opção de compra europeia. é o preço atual, o preço de exercício, a taxa livre de risco, a volatilidade, o tempo até vencimento. é a distribuição acumulada da normal padrão — uma integral. Toda a matemática de 120 lições converge aqui. Nobel de Economia 1997.
Notação rigorosa, derivação completa, hipóteses
Definição rigorosa
O modelo e a equação canônica
"Black e Scholes (1973) derivaram o preço de uma opção europeia de compra assumindo que o preço do ativo subjacente segue um movimento browniano geométrico com drift e volatilidade constantes, sem dividendos e em mercado sem fricções." — OpenStax Business Statistics, Cap. 11
"A equação do calor é o protótipo de EDP parabólica. Sua solução via convolução com o núcleo gaussiano é exatamente o que produz a fórmula de Black-Scholes quando se impõe a condição de contorno de payoff da opção." — Lebl, Notes on Diffy Qs §4.3
Os Greeks — derivadas parciais de C
Os cinco Greeks principais — derivadas parciais de C em relação a cada parâmetro. Mesa de derivativos calcula todos continuamente.
Exemplos resolvidos
Lista de exercícios
43 exercícios · 10 com solução desenvolvida (25%)
- Ex. 119.1Compreensão
Em Black-Scholes, e dependem de escores padronizados. O que mede um -score (escore-)?
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O escore- mede a distância de um valor à média, contada em desvios-padrão: . Em BS, e são exatamente escores padronizados do log-retorno. Resp: B. - Ex. 119.2CompreensãoGabarito
Padronizar uma distribuição normal (subtrair a média e dividir pelo desvio-padrão) faz o quê com a média?
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Padronizar via produz a normal padrão : a média vai a 0 e o desvio-padrão a 1. É essa cuja CDF aparece em BS. Resp: B. - Ex. 119.3Aplicação
Qual o escore- de , se ele está dois desvios-padrão à direita da média? (mesma padronização usada para obter )
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Estar dois desvios-padrão à direita da média significa por definição de escore-. Resp: C. - Ex. 119.4Aplicação
Suponha (média 2, desvio 6). Que valor de tem escore- igual a 3?
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De vem . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Escreva a relação: . Por quê: é a inversa de .
- Substitua , , : .
- Ex. 119.5AplicaçãoGabarito
Suponha (média , desvio 2). Qual o escore- de ?
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. Resp: A. - Ex. 119.6AplicaçãoGabarito
Uma normal tem média 6 e desvio-padrão . Qual o escore- de ?
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. Valor levemente abaixo da média. Resp: A. - Ex. 119.7Compreensão
Pela regra empírica (68-95-99,7), cerca de que percentual dos valores de uma normal está a até um desvio-padrão da média (esquerda e direita)?
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Cerca de 68% da massa de uma normal está dentro de . É a primeira faixa da regra empírica que sustenta a intuição de . Resp: B. - Ex. 119.8Compreensão
Cerca de que percentual dos valores de uma normal está a até dois desvios-padrão da média (ambos os lados)?
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Aproximadamente 95% da massa está em (mais precisamente 95,45%). Resp: B. - Ex. 119.9Aplicação
Seja (média 54, desvio 8). Encontre a probabilidade de .
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Padronize: . . Mesma operação de em BS. Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Calcule o escore-z: .
- Da tabela normal: .
- Cauda direita: . Por quê: a área total é 1.
- Ex. 119.10Aplicação
Seja . Encontre o 60.º percentil (o valor tal que ).
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O escore- do 60.º percentil é . Logo . Resp: A. - Ex. 119.11Aplicação
Para a normal padrão — a mesma de em BS — qual a área aproximada da região ?
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. Pela simetria, é igual a . Resp: A. - Ex. 119.12AplicaçãoGabarito
Para a normal padrão , qual a área aproximada da região ? (este é exatamente o tipo de leitura de )
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. Pouco acima de porque . Resp: A. - Ex. 119.13Modelagem
No modelo CAPM, os retornos de uma carteira são normais com retorno médio anual de 14,7% e desvio-padrão 33%. Qual a probabilidade aproximada de um retorno positivo (maior que 0%)?
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Padronize 0%: . . Mesma lógica de : probabilidade de terminar no positivo. Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Escore-z do limiar 0: .
- . Por simetria .
- Da tabela: . Macete: é o mesmo cálculo de "probabilidade de a opção terminar in-the-money".
- Ex. 119.14Compreensão
O fator de desconto em BS é um decaimento exponencial. A que tipo de modelo exponencial a meia-vida está associada, e qual o papel dela?
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Meia-vida está associada a decaimento exponencial: é o tempo necessário para a quantidade cair à metade. O desconto é o mesmo tipo de decaimento contínuo. Resp: B. - Ex. 119.15Aplicação
A temperatura de um objeto, em F após minutos, é . Qual a temperatura aproximada após uma hora e meia (90 min)?
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. Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Expoente: .
- .
- . Por quê: termo exponencial decai, sobra a temperatura ambiente +72.
- Ex. 119.16Aplicação
Uma substância tem meia-vida de minutos. Partindo de g, quantas meias-vidas se passam até decair a g?
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Cada meia-vida divide por 2: . São 4 meias-vidas. Resp: A. - Ex. 119.17Demonstração
O crescimento contínuo () é o irmão do desconto de BS. Derive uma fórmula geral para o tempo em que a população cresce por um fator .
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Impondo , vem , logo e . É a mesma inversão logaritmo–exponencial de em . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Imponha o fator: .
- Cancele : .
- Aplique ln: . Macete: ln "desfaz" a exponencial.
- Ex. 119.18Demonstração
Mudança de base aparece ao reescrever taxas em BS. Prove que para , .
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Pela identidade (definição de logaritmo), pela regra de potência de potência. Resp: A. - Ex. 119.19AplicaçãoGabarito
Um tumor recebe g de Iodo-125, com taxa de decaimento de ao dia. Quantos dias, aproximadamente, para metade decair (meia-vida)?
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Modelo . Meia-vida: dias. Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Modelo contínuo: .
- Meia-vida: .
- Resolva: dias.
- Ex. 119.20Modelagem
Pela Lei do Resfriamento de Newton, uma sopa a F esfria num ambiente a F; após 15 min está a F. O modelo tem a forma . Qual o valor inicial de ?
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A diferença inicial é F. É o coeficiente que multiplica a exponencial — análogo a como o strike entra via . Resp: A. - Ex. 119.21Aplicação
A CDF é uma integral; calcular áreas é a base. Use fórmulas de área para avaliar .
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A região é um triângulo de base 3 e altura 3: área . Resp: A. - Ex. 119.22Aplicação
Use fórmulas de área para avaliar .
Ver solução
Triângulo de base 1 (de a ) e altura 1 (em , ): área . Resp: A. - Ex. 119.23Aplicação
Use fórmulas de área para avaliar (semicírculo — a mesma ideia de área sob curva da gaussiana).
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é o semicírculo superior de raio 2. Área . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Reconheça: é a metade superior do círculo , raio 2.
- Área do semicírculo: .
- Ex. 119.24Aplicação
Encontre a área líquida com sinal entre e o eixo em .
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De a a função é positiva (triângulo de área ); de a é negativa (área ). A área líquida é . Resp: A. - Ex. 119.25Aplicação
Sabendo que , e , calcule .
Ver solução
Por linearidade: . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Use linearidade da integral: separe cada termo.
- ; os demais valem .
- Some: .
- Ex. 119.26Aplicação
Com os mesmos dados ( etc.), calcule .
Ver solução
. Resp: A. - Ex. 119.27AplicaçãoGabarito
Com , , calcule .
Ver solução
Expanda: . Integral . Resp: A. - Ex. 119.28DemonstraçãoGabarito
Use o teorema da comparação para mostrar que .
Ver solução
O integrando é para todo . A integral de uma função não-negativa é não-negativa pelo teorema da comparação. Resp: A. - Ex. 119.29Demonstração
Use o teorema da comparação para justificar .
Ver solução
Em vale (pois ). Logo , e a raiz preserva a desigualdade. Pela monotonia da integral, conclui-se. Resp: A. - Ex. 119.30AplicaçãoGabarito
O valor médio de uma função num intervalo é central no Teorema do Valor Médio para integrais. Encontre o valor médio de em .
Ver solução
. (Usando .) Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Fórmula: .
- ; comprimento .
- .
- Ex. 119.31Aplicação
Encontre o valor médio de em .
Ver solução
. Valor médio . Resp: A. - Ex. 119.32Aplicação
Encontre o valor médio de em .
Ver solução
(área positiva e negativa se cancelam). Logo o valor médio é 0. Resp: A. - Ex. 119.33AplicaçãoGabarito
A aproximação de e da inversão de vol usa polinômios de Taylor. Encontre o polinômio de Taylor de grau 2 de centrado em .
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, , . . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Avalie: , , .
- Monte: .
- Substitua: .
- Ex. 119.34Aplicação
Encontre o polinômio de Taylor de grau 2 de centrado em .
Ver solução
, , . . Resp: A. - Ex. 119.35AplicaçãoGabarito
Encontre o polinômio de Taylor de grau 2 de centrado em (o que aparece em ).
Ver solução
, , . . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Derivadas em 1: .
- Monte: .
- Resultado: . Macete: é o início da série .
- Ex. 119.36Aplicação
Encontre o polinômio de Taylor de grau 2 de centrado em (a exponencial do desconto).
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Todas as derivadas de valem em . . Resp: A. - Ex. 119.37Aplicação
Encontre a série de Taylor de centrada em .
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Como , expanda pelo binômio: . A série é finita pois é polinômio. Resp: A. - Ex. 119.38Aplicação
Qual a série de Taylor de centrada em ?
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Todas as derivadas de em valem . A série é . Resp: A. - Ex. 119.39Aplicação
Qual a série de Taylor de centrada em ?
Ver solução
As derivadas de em 1 valem todas . Logo a série é . Resp: A. - Ex. 119.40Aplicação
Calcule a série de Taylor de em torno de .
Ver solução
é linear: , , derivadas superiores nulas. Série . Resp: A. - Ex. 119.41Aplicação
Calcule a série de Taylor de em torno de (forma completa).
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Com : . Resp: A.Ver passo a passo (com o porquê)
- Substitua : .
- Série conhecida: .
- Em sigma: .
- Ex. 119.42Aplicação
Calcule a série de Taylor de em torno de (a forma do fator de desconto ).
Ver solução
. Mesma série que sustenta para pequeno. Resp: A. - Ex. 119.43Compreensão
Reconheça a soma de série: converge para qual valor?
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É a série de Maclaurin de avaliada em : . A constante que governa o desconto contínuo. Resp: A.
Fontes
- Notes on Diffy Qs: Differential Equations for Engineers — Jiří Lebl · Oklahoma State University · 2024 · EN · CC-BY-SA. Fonte primária — §4.3 (Redução da EDP de Black-Scholes à equação do calor): mudança de variáveis , , , e a solução via convolução com o kernel gaussiano. Base teórica para todos os exercícios de derivação da EDP.
- Introductory Business Statistics (OpenStax) — Holmes, Illowsky, Dean · 2017 · EN · CC-BY. Cap. 11 (Decisão sob risco e modelos lognormais): base para os exercícios de aplicação (precificação de calls/puts europeus, paridade put-call) e para as questões de interpretação de .
- OpenIntro Statistics (4ª ed) — Diez, Çetinkaya-Rundel, Barr · 2019 · EN · CC-BY-SA. §3.3 (Densidade normal padrão e CDF ): suporte numérico para os exercícios que dependem de leitura da tabela z e de aproximações computacionais de .