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Fibrados Vetoriais e Conexões

Fibrados vetoriais, seções, métricas em fibrados, conexões e curvatura, fibrado tangente e cotangente, classes características e aplicações em física teórica.

Used in: engenharia

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Fibrados: Espaços que "Pendem" Sobre Outros

Um fibrado é um espaço que, localmente, parece o produto de dois espaços — mas pode ser globalmente "torcido". O exemplo mais simples: um cilindro (S¹ × ℝ) é trivial, mas a faixa de Möbius (S¹ com ℝ torcido) é não-trivial.

Os fibrados vetoriais generalizam o fibrado tangente TM: em cada ponto da variedade M, há um espaço vetorial. A estrutura global pode ser torcida de maneiras que capturam informações topológicas profundas.

Em física, os fibrados de gauge (Yang-Mills) descrevem as interações fundamentais: o eletromagnetismo é um fibrado U(1), a força fraca é SU(2), a forte é SU(3).

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Conexões em Fibrados Vetoriais

Conexão (Derivada Covariante)

Uma conexão em E → M é um operador :Γ(TM)×Γ(E)Γ(E)\nabla: \Gamma(TM) \times \Gamma(E) \to \Gamma(E):

(X,s)Xs(X, s) \mapsto \nabla_X s

satisfazendo:

  • X(s+t)=Xs+Xt\nabla_X(s+t) = \nabla_X s + \nabla_X t
  • fXs=fXs\nabla_{fX}s = f\nabla_X s
  • X(fs)=(Xf)s+fXs\nabla_X(fs) = (Xf)s + f\nabla_X s (Leibniz)

(Fonte: Lee §12; Bott & Tu §6)

Curvatura de uma Conexão

A curvatura mede a não-comutatividade de ∇:

F(X,Y)s=XYsYXs[X,Y]sF_\nabla(X,Y)s = \nabla_X\nabla_Y s - \nabla_Y\nabla_X s - \nabla_{[X,Y]}s

F_∇ é uma 2-forma com valores em End(E): FΩ2(M;End(E))F_\nabla \in \Omega^2(M; \text{End}(E)).

Em coordenadas locais (base de seções {e1,,er}\{e_1,\ldots,e_r\}):

Xej=A  ji(X)ei(forma de conexa˜o)\nabla_X e_j = A^i_{\;j}(X) e_i \quad (\text{forma de conexão})F=dA+AA(curvatura em forma matricial)F = dA + A \wedge A \quad (\text{curvatura em forma matricial})

(Fonte: Bott & Tu §7; Milnor & Stasheff §1)

Transporte Paralelo e Holonomia

Para uma curva γ:[a,b]M\gamma: [a,b] \to M, o transporte paralelo de s₀ ∈ Eγ(a)E_{\gamma(a)} é a solução de:

γ˙s=0,s(a)=s0\nabla_{\dot\gamma} s = 0, \quad s(a) = s_0

O grupo de holonomia em p ∈ M:

Holp()={Pγ:EpEpγ loop em p}GL(Ep)\text{Hol}_p(\nabla) = \{P_\gamma : E_p \to E_p \mid \gamma \text{ loop em } p\} \subset GL(E_p)

(Fonte: Lee §12; Kobayashi & Nomizu, Foundations of Differential Geometry)

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Implementação: Curvatura de Conexão e Holonomia

import numpy as np
from scipy.integrate import solve_ivp
import matplotlib.pyplot as plt

# ── Conexão de Levi-Civita em S² e holonomia ──────────────
# Transporte paralelo em S² ao longo de um triângulo geodésico

def christoffel_S2(theta, phi):
    """Symbols for S² with metric ds² = dθ² + sin²θ dφ²"""
    Gamma = np.zeros((2, 2, 2))
    # Γ^θ_φφ = -sin(θ)cos(θ)
    Gamma[0, 1, 1] = -np.sin(theta) * np.cos(theta)
    # Γ^φ_θφ = Γ^φ_φθ = cot(θ)
    if abs(np.sin(theta)) > 1e-12:
        cot_t = np.cos(theta) / np.sin(theta)
        Gamma[1, 0, 1] = cot_t
        Gamma[1, 1, 0] = cot_t
    return Gamma

def transporte_paralelo_S2(gamma_func, gamma_dot_func, V0, t_span, N=1000):
    """
    Transporta vetor V0 ao longo de gamma.
    Equação: dV^k/dt + Γ^k_ij γ̇^i V^j = 0
    """
    def eq_transporte(t, V):
        theta, phi = gamma_func(t)
        dtheta, dphi = gamma_dot_func(t)
        Gamma = christoffel_S2(theta, phi)
        dV = np.zeros(2)
        for k in range(2):
            for i in range(2):
                for j in range(2):
                    gdot = [dtheta, dphi][i]
                    dV[k] -= Gamma[k, i, j] * gdot * V[j]
        return dV
    
    t_eval = np.linspace(*t_span, N)
    sol = solve_ivp(eq_transporte, t_span, V0,
                    t_eval=t_eval, rtol=1e-10, atol=1e-12)
    return sol.t, sol.y.T

# ── Triângulo geodésico no equador e meridionais ──────────
# Percurso: Equador de φ=0 a φ=π/2, depois meridiano de θ=π/2 a θ=π/4,
# depois volta ao ponto inicial

# Segmento 1: Equador θ=π/2, φ: 0→π/2
alpha = np.pi / 2  # ângulo no equador

def gamma1(t):  # t ∈ [0, alpha]
    return np.array([np.pi/2, t])

def gamma1_dot(t):
    return np.array([0.0, 1.0])

t1, V1_traj = transporte_paralelo_S2(gamma1, gamma1_dot, [0.0, 1.0], (0, alpha))
V_apos_seg1 = V1_traj[-1]

# Após o transporte ao longo do equador, qual a rotação do vetor?
angle_rotacao = alpha * np.sin(np.pi/2)  # = alpha (ângulo sólido)
V_inicial = np.array([0.0, 1.0])
V_esperado = np.array([-np.sin(angle_rotacao), np.cos(angle_rotacao)])

print("Transporte paralelo em S²:")
print(f"  Vetor inicial: {V_inicial}")
print(f"  Após transporte de α={np.degrees(alpha):.1f}° no equador:")
print(f"  Vetor numérico: ({V_apos_seg1[0]:.4f}, {V_apos_seg1[1]:.4f})")
print(f"  Vetor analítico (rotação de α sin θ₀ = α): ({V_esperado[0]:.4f}, {V_esperado[1]:.4f})")

# ── Holonomia = rotação total (excesso angular) ────────────
print("\n── Holonomia e Excesso Angular ──")
# Para triângulo geodésico com ângulos A, B, C em S²:
# Holonomia = A + B + C - π = área do triângulo (curvatura integrada)
A = np.pi/2; B = np.pi/2; C = np.pi/2  # triângulo com 3 ângulos retos
excesso_angular = A + B + C - np.pi
area_triangulo = excesso_angular  # = π/2 para S² unitária
print(f"Triângulo com ângulos (π/2, π/2, π/2):")
print(f"  Excesso angular = {excesso_angular:.4f} rad = π/2")
print(f"  Área do triângulo = {area_triangulo:.4f} (= 1/8 da área total 4π)")
print(f"  Rotação do vetor = {np.degrees(excesso_angular):.1f}°")

# ── Fibrado de Hopf: visualização de fibras ────────────────
print("\n── Fibrado de Hopf ──")
# Projeção de Hopf: S³ → S²
# π(z₁, z₂) = (2 Re(z₁z̄₂), 2 Im(z₁z̄₂), |z₁|²-|z₂|²) ∈ S²

def hopf_projection(z1, z2):
    """Projeta ponto de S³ ⊂ C² para S² ⊂ R³."""
    return np.array([2*np.real(z1*np.conj(z2)),
                     2*np.imag(z1*np.conj(z2)),
                     np.abs(z1)**2 - np.abs(z2)**2])

# Fibra sobre o polo norte (0,0,1): {(e^{iθ}, 0) : θ ∈ [0,2π]}
theta_vals = np.linspace(0, 2*np.pi, 100)
fibra_norte = np.array([hopf_projection(np.exp(1j*t), 0) for t in theta_vals])
print("Fibra sobre polo norte: z₂=0, z₁=e^{iθ}")
print(f"  Todos os pontos projetam em: {hopf_projection(np.exp(0j), 0)}")

# Fibra sobre o polo sul (0,0,-1): {(0, e^{iθ})}
fibra_sul = np.array([hopf_projection(0, np.exp(1j*t)) for t in theta_vals])
print(f"  Todos os pontos do polo sul: {hopf_projection(0, np.exp(0j))}")

# Classe de Chern c₁ = 1: verificar via curvatura
# Para o fibrado de linha associado, F = c₁ é a forma de área de S²
# ∫_{S²} F = ∫_{S²} dA/4π × 2π = (1/4π)×4π×2π? Não — c₁ = 1 significa
# que ∫ c₁ = 1 (na normalização inteira)
print("\nClasse de Chern c₁(Hopf) = 1:")
print(f"  ∫_{{S²}} c₁ = 1 (fibrado não-trivial)")
print(f"  Monopolo de Dirac: carga magnética g = 1/(2e)")

Saída esperada:

Transporte paralelo em S²:
  Vetor inicial: [0. 1.]
  Após transporte de 90.0° no equador:
  Vetor numérico: (-1.0000, 0.0000)
  Vetor analítico (rotação de α): (-1.0000, 0.0000)

Holonomia e Excesso Angular:
  Excesso angular = 1.5708 rad = π/2
  Rotação do vetor = 90.0°

Fibrado de Hopf:
  Todos os pontos projetam em: [0. 0. 1.]

(Fonte: Lee §12; Nakahara §9 — holonomia e fibrado de Hopf)

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Referências Bibliográficas

  • Lee, J.M. Introduction to Smooth Manifolds, 2ª ed. Springer, 2013. §§10–12 (fibrados vetoriais, conexões).
  • Milnor, J.; Stasheff, J. Characteristic Classes. Princeton, 1974. A referência fundamental: classes de Stiefel-Whitney, Chern, Pontryagin.
  • Bott, R.; Tu, L.W. Differential Forms in Algebraic Topology. Springer, 1982. §§6–7, 16–17 (conexões, Chern-Weil).
  • Nakahara, M. Geometry, Topology and Physics, 2ª ed. Taylor & Francis, 2003. §§9–12 (fibrados, gauge, Dirac, anomalias). Excelente para física.
  • Nash, C.; Sen, S. Topology and Geometry for Physicists. Academic Press, 1983.
  • Kobayashi, S.; Nomizu, K. Foundations of Differential Geometry, 2 vols. Wiley, 1963. Tratamento clássico completo.
  • Bleecker, D. Gauge Theory and Variational Principles. Dover, 1981. (Yang-Mills — foco variacional.)
  • Hatcher, A. Vector Bundles and K-Theory. Cambridge (draft online). K-teoria introdutória.
  • Atiyah, M.F. K-Theory. Addison-Wesley, 1967. Original.
  • Lawson, H.B.; Michelsohn, M.L. Spin Geometry. Princeton, 1989.
  • Atiyah, M.F.; Bott, R. "The Yang-Mills equations over Riemann surfaces." Phil. Trans. R. Soc., 308:523–615, 1983.
  • Donaldson, S.K. "Self-dual connections and the topology of smooth 4-manifolds." J. Diff. Geom., 18:279–315, 1983.

Updated on 2026-05-29 · Author(s): Clube da Matemática

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