Lesson 116 — Special matrices: symmetric, orthogonal, and Hermitian
The three families of matrices that dominate applications: symmetric (A = A^T), orthogonal (Q^T Q = I), Hermitian (A^* = A). Spectral theorem, quadratic forms, and Cholesky decomposition.
Used in: 3rd year HS advanced · Equiv. German Leistungskurs (Vectors + Linear Mappings) · Equiv. Singapore H2 Math (chapter Matrices advanced)
O teorema espectral: toda matriz simétrica real admite diagonalização ortogonal , onde é ortogonal e é diagonal com autovalores reais. As três classes — simétrica, ortogonal e hermitiana — estruturam álgebra linear aplicada, estatística multivariada, mecânica quântica e computação gráfica.
Rigorous notation, full derivation, hypotheses
Definição rigorosa
Matrizes simétricas
"A matrix is called symmetric if it equals its own transpose: . [...] The entry in row and column equals the entry in row and column ." — Beezer, A First Course in Linear Algebra, §OD
A última igualdade mostra como soma de projeções de rank 1 ponderadas pelos autovalores — representação espectral.
Matrizes ortogonais
"An matrix is called an orthogonal matrix if ." — Austin, Understanding Linear Algebra, §7.1
Propriedades fundamentais:
- Preserva norma: para todo .
- Preserva produto interno: .
- . Se : rotação. Se : rotação seguida de reflexão.
- Autovalores complexos têm módulo 1.
O análogo complexo é a matriz unitária: , onde é a adjunta (transposta conjugada).
Matrizes hermitianas
"A square matrix with complex entries is called Hermitian if where is the conjugate transpose of ." — Beezer, A First Course in Linear Algebra, §HMD
Teorema espectral complexo. Toda matriz hermitiana tem autovalores reais e admite diagonalização unitária: .
Matrizes definidas positivas
Critérios equivalentes para SPD:
- Todos os autovalores .
- Todos os menores principais líderes (determinantes das submatrizes do canto superior esquerdo) são positivos — critério de Sylvester.
- Existe triangular inferior inversível com — fatoração de Cholesky.
Hierarquia de inclusão: SPD com Cholesky ⊂ SPD ⊂ PSD ⊂ Simétricas.
Forma quadrática
Classificação: se todos : definida positiva. Se todos : definida negativa. Se há autovalores positivos e negativos: indefinida.
Exemplos resolvidos
Exercise list
40 exercises · 10 with worked solution (25%)
- Ex. 116.1ApplicationAnswer key
O produto de dois operadores auto-adjuntos e em é auto-adjunto se e somente se eles comutam?
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O produto é auto-adjunto se e somente se . Calculando: (usando auto-adjunção de cada operador). Logo , ou seja, se e somente se e comutam.Show step-by-step (with the why)
- Use a propriedade do adjunto de um produto: .
- Como e são auto-adjuntos, e . Logo .
- Para ser auto-adjunto, precisamos , ou seja .
Macete: o produto de auto-adjuntos comutantes é auto-adjunto — basta verificar comutatividade.
- Ex. 116.2ApplicationAnswer key
Seja . Prove que é autovalor de se e somente se é autovalor de . (Resp: verdadeiro)
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Se é autovalor de com autovetor , então é autovalor de (com o mesmo autovetor). Em particular, para operadores normais os autovalores de são os conjugados dos autovalores de . Portanto é autovalor de se e somente se é autovalor de . - Ex. 116.3ApplicationAnswer key
Defina por . Determine e classifique: é auto-adjunto? É normal?
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Para em com produto interno padrão: calcule usando . Isso dá , logo . Em forma: . Verificação: (normal) mas (não auto-adjunto). - Ex. 116.4Application
Com , prove que o conjunto de operadores auto-adjuntos em é um subespaço de . Qual é sua dimensão em função de ? (Resp: )
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Para : a soma de dois operadores auto-adjuntos é auto-adjunto (pois ), e múltiplo real de auto-adjunto é auto-adjunto ( para ). Logo é subespaço. Dimensão: matrizes simétricas reais têm entradas na diagonal + entradas acima = .Show step-by-step (with the why)
- Verifique fechamento sob adição: . Sim, é auto-adjunto.
- Verifique fechamento sob multiplicação escalar real: . Sim.
- Logo é subespaço de .
- Dimensão: identificando com matrizes simétricas , a dimensão é .
- Ex. 116.5Application
Seja invertível. Prove que (a) é auto-adjunto se e somente se é auto-adjunto; (b) é normal se e somente se é normal.
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(a) Se é auto-adjunto e invertível: . A recíproca usa o mesmo argumento. (b) Se é normal: (multiplicando por dos dois lados) usando . - Ex. 116.6Application
Seja com . Prove que as seguintes condições são equivalentes: (a) é auto-adjunto; (b) é normal; (c) existe subespaço com (projeção ortogonal).
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Seja (projeção). (a) (b): auto-adjunto implica normal trivialmente (). (b) (c): se é normal com , pode-se mostrar que , que é exatamente a condição para (projeção ortogonal sobre ). (c) (a): projeção ortogonal é auto-adjunta. - Ex. 116.7Application
Seja normal. Prove que e para todo inteiro positivo .
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Para normal e : pelo teorema espectral, é diagonalizável. Se e (base de autovetores), então . Para cada : . Se , então . Logo os correspondem a , mas então . Portanto ; a inclusão oposta é imediata. - Ex. 116.8Application
Seja um operador normal em , com , e . Calcule . (Resp: 10)
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Como é normal, autovetores de autovalores distintos são ortogonais. Aqui , logo . Calcule: . Logo .Show step-by-step (with the why)
- Observe que e , com autovalores distintos. Como é normal, .
- Calcule .
- Use Pitágoras (ortogonalidade): .
- Logo .
- Ex. 116.9Application
Prove que é diagonalizável se e somente se é diagonalizável.
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Se é diagonalizável, existe base de autovetores de com autovalores . Na base de autovetores (ortonormal, pelo teorema espectral quando é normal), tem matriz , logo é diagonalizável com os mesmos autovetores. A recíproca é simétrica. - Ex. 116.10Application
Seja com para todo . Prove que é normal.
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Em dimensão finita, para todo . Por simetria (troca e ), . Logo para todo . Isso implica para todo , portanto , ou seja, é normal. - Ex. 116.11Understanding
Com , prove que o conjunto de operadores auto-adjuntos em não é subespaço de .
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Para : se é auto-adjunto (), considere . Então . Portanto não é auto-adjunto. O conjunto não é fechado sob multiplicação escalar complexa, logo não é subespaço de sobre . - Ex. 116.12Understanding
Prove que um operador normal em espaço de produto interno complexo é auto-adjunto se e somente se todos os seus autovalores são reais.
Show solution
Pelo teorema espectral complexo, normal num espaço complexo tem uma base ortonormal de autovetores. Na base de autovetores, a matriz de é diagonal com entradas . Então . Portanto se e somente se para todo , ou seja, se e somente se todos os autovalores são reais.Show step-by-step (with the why)
- Pelo teorema espectral complexo, existe base ortonormal de autovetores de .
- Na base de autovetores, é diagonal com e é diagonal com .
- para todo para todo .
- Ex. 116.13Understanding
Prove que um operador normal em espaço complexo é antissimétrico (i.e., ) se e somente se todos os seus autovalores são puramente imaginários.
Show solution
Seja normal com autovalores . Pelo espectral complexo, tem autovalores . antissimétrico significa , ou seja para todo . Se , então , ou seja puramente imaginário. - Ex. 116.14Understanding
Com e , prove que é normal se e somente se todo autovetor de é também autovetor de .
Show solution
(→) Se é normal e , pelo teorema espectral . (←) Se todo autovetor de é autovetor de , pelo teorema espectral complexo os autovetores formam base ortonormal, e em tal base tanto como são diagonais, logo comutam: . - Ex. 116.15Application
Seja auto-adjunto em espaço de dimensão finita com autovalores somente e . Prove que .
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Como é auto-adjunto em espaço finito-dimensional, pelo teorema espectral real é diagonalizável com autovalores reais. Os únicos autovalores são e . Portanto , pois para cada autovetor . Expandindo: . - Ex. 116.16Understanding
Prove ou dê contraexemplo: todo operador diagonalizável em é normal (em relação ao produto interno usual).
Show solution
Contraexemplo: é diagonalizável (autovalores mas não a identidade)? Na verdade, tente : autovalores distintos , logo diagonalizável. Verificar normalidade: vs com a matriz — elas não comutam. Logo não é normal. - Ex. 116.17Application
Com , seja normal com . Prove que é auto-adjunto e .
Show solution
Pelo teorema espectral complexo, normal tem autovalores . A condição diz para todo . Logo , portanto . Autovalores em : é auto-adjunto. E pois para . - Ex. 116.18Application
Prove que todo operador normal em espaço de produto interno complexo tem raiz quadrada. (Um operador é raiz quadrada de se .)
Show solution
Pelo teorema espectral complexo, normal tem base ortonormal de autovetores com autovalores . Para cada , escolha com (sempre possível em ). Defina por . Então , logo . - Ex. 116.19UnderstandingAnswer key
Prove que todo operador auto-adjunto em tem raiz cúbica. (Um operador é raiz cúbica de se .)
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Pelo espectral real, auto-adjunto tem autovalores reais . Cada real tem raiz cúbica real: . Defina por na base ortonormal de autovetores. Então . Além disso é auto-adjunto pois seus autovalores são reais. - Ex. 116.20UnderstandingAnswer key
Com e , prove que é auto-adjunto se e somente se todos os pares de autovetores de autovalores distintos são ortogonais e é a soma direta dos autoespaços de .
Show solution
Com : (←) Se autovetores de autovalores distintos são ortogonais e , então existe base ortonormal de autovetores (Gram-Schmidt dentro de cada ). Na base, é diagonal com entradas reais , logo : auto-adjunto. (→) Pelo teorema espectral real, se é auto-adjunto ambas as condições valem. - Ex. 116.21ApplicationAnswer key
Seja auto-adjunto e subespaço de invariante por . Prove que: (a) é invariante por ; (b) é auto-adjunto; (c) é auto-adjunto.
Show solution
(a) Se e : (pois e ). Logo . (b) Para : . (c) Análogo a (b) para . - Ex. 116.22Application
Seja auto-adjunto, e . Suponha que exista com e . Prove que tem autovalor a distância menor que de .
Show solution
Seja auto-adjunto e suponha que , . Se não tivesse autovalores na bola , então existiria para com . Mas e , contradição. Logo existe autovalor de em . - Ex. 116.23Modeling
Seja inteiro positivo e definido por (shift unilateral). Encontre uma fórmula para .
Show solution
Calculando via produto interno: . Deve igualar . Comparando: .Show step-by-step (with the why)
- Escreva (shift para a direita).
- Compute .
- Para , iguale : logo para e .
- Ex. 116.24ModelingAnswer key
Seja . Prove que (a) é injetivo se e somente se é sobrejetivo; (b) é sobrejetivo se e somente se é injetivo.
Show solution
(a) é injetivo . Usando a relação (propriedade do adjunto): . Analogamente para (b). - Ex. 116.25Modeling
Seja e subespaço de . Prove que é invariante por se e somente se é invariante por .
Show solution
(→) Suponha invariante por . Seja ; queremos . Para todo : (pois e ). Logo . (←) Análogo trocando por e por . - Ex. 116.26Modeling
Seja . Prove que (a) ; (b) . (Resp: consequência do teorema do núcleo-imagem)
Show solution
(b) Como , temos . Pelo teorema do núcleo-imagem: . Substituindo: . Parte (a) de forma equivalente: e simplificando. - Ex. 116.27Challenge
Seja um operador anti-simétrico. Prove que é normal se e somente se existem operadores (auto-adjunto) e (anti-simétrico) que comutam tal que .
Show solution
(→) Seja (auto-adjunto) e (anti-simétrico: ). Então . Comutatividade de e : use para mostrar . (←) Se e comutam, com e : e . Se , os dois são iguais. - Ex. 116.28ChallengeAnswer key
Suponha normal e . Seja . Prove que .
Show solution
Como é normal e , o vetor é autovetor de autovalor . Para normal, autovetores de autovalores distintos são ortogonais. Se , então é autovetor de autovalor (ou trivialmente). Logo , ou seja . - Ex. 116.29Challenge
Com e , prove que existe base ortonormal de em que todo elemento de tem matriz diagonal se e somente se e comutam para todo par .
Show solution
Com : (→) se existe base ortonormal que diagonaliza todos os , então todos os são representados por matrizes diagonais na mesma base, logo comutam entre si. (←) Indução: para dois operadores normais comutantes e , cada autoespaço de é invariante por (pois ); dentro de cada autoespaço de , é normal e pode ser diagonalizado ortogonalmente. - Ex. 116.30ChallengeAnswer key
Seja com base ortonormal de autovetores e autovalores . Seja e . Mostre que tem base ortonormal de autovetores com autovalores .
Show solution
Se é base ortonormal de autovetores de com autovalores , então: para todo . Para : . Logo é também base ortonormal de autovetores de , com autovalores . - Ex. 116.31Application
Seja e . Se é ortogonal a e a , prove que é ortogonal a .
Show solution
Usando linearidade do produto interno na segunda entrada (ou da conjugada-linear na primeira, dependendo da convenção): . Logo é ortogonal a .Show step-by-step (with the why)
- Compute usando bilinearidade.
- Separe: .
- Por hipótese ambos os produtos internos são zero: resultado = 0.
- Ex. 116.32Application
Seja o conjunto do Teorema GSP (Gram-Schmidt). Prove que se já é ortogonal, então o conjunto produzido pelo processo de Gram-Schmidt é igual a .
Show solution
No processo de Gram-Schmidt (Teorema GSP), cada vetor é projetado no complemento dos anteriores. Se já é ortogonal, as projeções de nas direções são todas zero (pois para ). Logo nenhum vetor é modificado e . - Ex. 116.33Understanding
Mostre que é uma matriz normal provando diretamente que é hermitiana.
Show solution
Primeiro, note que é hermitiana: . Toda matriz hermitiana é normal, pois . Logo é normal. - Ex. 116.34Understanding
Seja normal e subespaço de invariante por . Prove que: (a) é invariante por ; (b) é invariante por ; (c) .
Show solution
(a) Seja . Para todo : . Como é normal, usando autoespaços ortogonais do espectral: se é invariante por , então é invariante por (pois ), logo e . (b) Análogo. (c) Cálculo direto nos autoespaços. - Ex. 116.35Challenge
Com , defina por para todo . (a) Encontre todos os autovalores de . (b) Qual é o polinômio minimal de ?
Show solution
Com , o operador definido por . Autovalores: . Se : auto-adjunto (existe). Se : , ou seja anti-simétrico (existe, e.g., em ). Outros : logo , portanto . Polinômio minimal: . - Ex. 116.36Challenge
Fixe com real. Defina por . Prove que é auto-adjunto se e somente se a lista é linearmente dependente.
Show solution
Calcule : . E . Para real: . Para : para todo . Isso vale para todo se e somente se e são paralelos (dependentes lineares). - Ex. 116.37ChallengeAnswer key
Seja . Suponha que é base ortonormal de e é base ortonormal de . Prove que .
Show solution
Seja a matriz de na base de e de . Então . A norma de Frobenius: . Por um lado, . Por outro, a matriz de é e . Logo ambos somam . - Ex. 116.38Proof
Seja . Prove que se e somente se , se e somente se , se e somente se .
Show solution
Mostramos quatro implicações em ciclo: (i) : trivial pois é definido em termos de . (ii) : imediato. (iii) : para todo , logo para todo . (iv) : análogo a (ii). As outras implicações seguem do ciclo. - Ex. 116.39Proof
Use a parte (b) do Exercício 7 do §7A para dar uma demonstração alternativa de que o rank de linha de uma matriz é igual ao seu rank de coluna.
Show solution
O rank de coluna de é onde é a transformação linear dada por . O rank de linha de é (pois tem como matriz em relação às bases canônicas). Pelo exercício 7 do §7A (que estabelece ), os dois são iguais. - Ex. 116.40Proof
Com e , prove que é normal se e somente se existe polinômio tal que .
Show solution
(→) Por Lagrange (interpolação), existe tal que para cada autovalor distinto . Então . Logo . (←) Se , então (pois comuta com polinômios em ), logo é normal.
Fontes
- Beezer, A First Course in Linear Algebra — Rob Beezer · 2022 · EN · GNU FDL · §OD (Orthonormal Diagonalization), §PSD, §HMD. Fonte primária desta lição.
- Hefferon, Linear Algebra — Jim Hefferon · 2020 · EN · CC-BY-SA · cap. 5 (Similarity) e cap. 5, §III (Formas bilineares).
- Austin, Understanding Linear Algebra — David Austin · 2023 · EN · CC-BY-SA · §7.1–7.3 (Orthogonal Diagonalization, Quadratic Forms).